"Qual é a característica mais importante do profissional do século XXI: ser visionário ou ser empreendedor?
É comum cultuar os empreendedores atribuindo a eles o modelo perfeito e único de pessoas vitoriosas no mundo competitivo da era do conhecimento, não exaltando os visionários como merecem.
E você, caro leitor, é empreendedor ou visionário?
Ser visionário significa ter visões, ser um sonhador, um utopista, muitas vezes, com idéias mirabolantes e poder para mudar o mundo.
Já o empreendedor é aquele que possui um comportamento arrojado, ativo e proativo, além de uma capacidade de transformar as ideologias dos visionários em negócios. Os empreendedores vivem seu apogeu na atual era do triunfo capitalista pois sabem, como ninguém, materializar sonhos cujos preços muitas vezes são incalculáveis.
Na linguagem mercadológica, os visionários são colocados em segundo plano, sendo considerados loucos ou pessoas que vivem na fronteira entre a genialidade e a loucura. Negócios são negócios, e invenções são negócios iminentes. Portanto, os livros de management prestigiam com ênfase nos ensinando a valorizar os que empreendem, pois estes sabem trazer à tona a palavra mágica adorada pelas empresas: resultados.
Ser proativo, arrojado, versátil, dinâmico, persistente e focado em resultados são virtudes do grande empreendedor, do facilitador, daquele que possui um discurso estimulante como o conhecido 'Não vamos resolver problemas, mas criar soluções'.
E quais são as virtudes, o perfil e o paradigma de um visionário?
O excesso de criatividade o faz ser, muitas vezes, considerado como improdutivo, sem foco e distraído.
Mas o terceiro milênio não é marcado apenas pelo avanço do capital selvagem, pois este está intimamente ligado e é dependente do progresso geométrico da ciência e da tecnologia. E é por isso que os visionários devem saber ser mais empreendedores a fim de ocuparem melhor seus espaços. No ambiente corporativo, as técnicas de brainstorming o favorecem. Num mundo marcado por incertezas, a intuição disputa com a razão para descobrir qual será a diretriz da gestão, e isso acontece todos os dias. Parece absurdo pensar assim, mas o fato do mundo ser tão volátil e imprevisível faz com que os visionários passem, paulatina e progressivamente, a levar vantagem sobre os empreendedores. Por isso devemos refletir sobre a característica que mais está presente em nossa personalidade, sobre o perfil dos profissionais de grandes organizações e a maneira como elas se relacionam com visionários e empreendedores, principalmente por terem estilos totalmente diferentes e merecerem um tratamento personalizado. É preciso conhecer os visionários e os empreendedores da organização para potencializar suas virtudes.
É tarefa do líder visionário buscar, compatibilizar os pensamentos e a excessiva criatividade dos visionários com as práticas e o pé no chão dos empreendedores.
Até aqui, tudo bem, mas qual deve ser a característica mais marcante dos líderes: intuição ou razão? Qual deve prevalecer com maior ênfase?
Como temos sido visionários por termos tido a idéia de expor um assunto deveras estimulante tanto para a vida pessoal quando para o ambiente organizacional, devemos ser também empreendedores para, de forma prática, concluir de forma audaciosa as perguntas do parágrafo precedente. Equilíbrio significa harmonia, estabilidade e controle. Se não temos um estilo equilibrado, precisamos de uma dose de visão para perceber a realidade e outra de empreendedorismo para mudar nosso comportamento. É o atalho para o sucesso.
Cristiano Levone de Oliveira"
O artigo acima, enviado para a redação do jornal Carreira & Sucesso pelo leitor Cristiano Levone de Oliveira, nos remete a uma discussão sobre as características do chamado "profissional de sucesso".
Para esclarecer estes pontos, conversamos com o gerente-executivo da diretoria de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil, Marcos Fadanelli Ramos:
C&S - Para começar nossa conversa, como você caracteriza um profissional de sucesso? Para chegar ao sucesso, o profissional precisa do resultado de algumas coisas. Ele deve ser um profissional completamente feliz com o que ele faz, um profissional extremamente realizador e, por último, um profissional reconhecido pela sua competência.
C&S – Na sua opinião, o sucesso tem alguma relação direta com a remuneração? Acho que não, de forma alguma. Na visão disseminada da nossa sociedade, confunde-se muito o profissional que ganha bem com o profissional de sucesso. Sabemos que, em muitas áreas de atuação, a remuneração não mede nada em termos de sucesso.
C&S – E relação com idade, tem? Para responder a esta pergunta, usarei um exemplo conhecido por todos: Van Gogh. Ele se tornou alguém de sucesso depois que morreu, mesmo considerando que na prática ninguém se realiza depois de morto. No caso dele, na minha opinião, ele pintava porque era feliz, porque tinha emoções a exprimir. Paulo Freire é outro exemplo de personagem que foi reconhecido em seu país quando já estava no final da vida. Com base nestes exemplos, posso afirmar que o sucesso se materializa na idade em que se confluem com o sentimento de felicidade e a capacidade de realização e quando o reconhecimento se materializa.
C&S – Conforme as definições do artigo acima, o profissional visionário é aquele que tem idéias mirabolantes, sonha muito e sente que tem poder para mudar o mundo. O empreendedor é aquele que possui um comportamento arrojado, ativo e proativo e que transforma a ideologia do visionário em atitude. No nosso momento atual, para ter sucesso é mais importante ser empreendedor ou visionário, na sua opinião? Somente a visão não leva ao sucesso. Acho importante ter visão e ser capaz de envolver os outros em seus sonhos a ponto de realizá-los. Eu, pessoalmente, gosto muito de pessoas que sonham, têm iniciativa e conseguem finalizar projetos. Resumindo, acho que é uma mistura de visionário com empreendedor.
C&S – Sucesso tem a ver com resultado? Sim, e as duas coisas têm uma relação direta. Sucesso significa capacidade de realização, de obter resultados.
C&S – O que combina melhor com sucesso: intuição ou razão? O equilíbrio é sempre a melhor saída, mas para um empreendedor de sucesso, fazer algo diferente é fundamental para ser bem sucedido. Para fazer algo que fuja aos padrões normal é preciso saber lidar com uma boa dose de incerteza, e para isso é preciso uma boa dose de intuição. Assim, nos primeiros passos de qualquer empreendimento, assume-se um risco com uma boa dose de incerteza. Quando as coisas começam a ganhar materialidade, a razão passa a governar os acontecimentos.
C&S – Quando um profissional alcança o sucesso isso obrigatoriamente significa que ele chegou ao topo da sua carreira? Depende dos seus projetos de vida e dos seus sonhos. Tudo é muito relativo. Em determinado momento da vida, Einstein costumava dizer que estava interessado apenas em conhecer os pensamentos de Deus, e que todo o resto era secundário, por exemplo.
C&S – Alcançar o sucesso deve ser o objetivo de vida de todo e qualquer profissional, independentemente da área em que atua e da função que exerce? Isso também depende do projeto de cada um. Para profissionais que querem estar acima da média, fazerem a diferença na vida dos outros e sentirem-se realizados, felizes e reconhecidos, acho que sim.
Fonte: http://www.catho.com.br/jcs
Entrevista feita por Ana Paula Ruiz
Ana Paula Ruiz é a jornalista responsável pelo jornal Carreira & Sucesso.