Se alguém achava que a crise não ia chegar aqui no Brasil, com os números das últimas semanas quebrou a cara. O emprego teve a maior queda da indústria em 8 anos, as empresas estão demitindo, os investimentos estão mais escassos, o crédito anda mais caro apesar das ações do governo e muito CEO está andando bem quietinho para tentar fazer o resultado aparecer neste ano. A única coisa que passa totalmente ilesa com a crise é a imagem do nosso idolatrado presidente Lula, que provavelmente quando nasceu, não recebeu talco na bunda, mas teflon pelo corpo todo, pois nada pega nele, conseguindo 84% de aprovação na pesquisa CNT/Sensus no meio de toda essa turbulência! (Mas eu gosto e compartilho do seu otimismo.)
As empresas de grande porte foram as primeiras a sentirem o problema, muitas estavam tão inchadas que as primeiras saídas foram às demissões em massa. A Microsoft, pela primeira vez na história, vai demitir quase 6 mil pessoas, a Nissan deve cortar 20 mil pessoas e por ai vai.
Claro que uma parte dessas demissões é apenas resultado de má gestão no passado que ficou muito mais acentuada em tempos de recursos escassos. Seja por gestão ou por crise, todo esse processo levará as empresas, de qualquer porte ou qualquer tamanho a olhar para seu próprio umbigo e perguntar: como podemos tornar nossas operações mais produtivas? Como podemos fazer mais (ou o mesmo) com menos pessoas? Como garantir a execução da estratégia em mares violentos?
Se você acha que o trabalho vai diminuir porque estão demitindo, se prepare. Muitas empresas estão cortando departamentos pela metade, mas o trabalho não vai ser cortado na mesma proporção. Mais trabalho com menos gente, é igual a menos tempo, mais estresse e menos qualidade de vida. E o pior é que tudo isso de forma silenciosa, pois no meio dessa crise, ninguém vai ficar reclamando de sobrecarga, afinal é melhor estar cheio de coisas para fazer do que ter férias forçadas em casa.
A alta direção, os gestores e o pessoal de recursos humanos precisam ficar extremamente atentos a essa situação. Um ritmo desses pode prejudicar demais a produtividade da empresa e levar à perda de pessoas estratégicas (como estou vendo nessas últimas semanas). É um momento crucial de se usar o tempo com sabedoria.
Isso envolve a correta seleção de reais e verdadeiras prioridades, ensinar a equipe a usar o tempo de forma eficaz, aprender a minimizar o volume de reuniões, aumentar o resultado das reuniões necessárias entre outros. Uma pesquisa da AOL/Salary.com mostrou que um funcionário chega a gastar 2hs/dia em pura perda de tempo. Multiplique essas horas pelo valor hora da sua equipe e imagine o custo desse uso ineficaz de tempo.
Na maioria dos casos, a culpa por esse desperdício nem é da equipe. É a falta de conhecimento sobre métodos práticos para gestão do tempo pessoal e do líder em definir realmente o que deve ser focado, e o que deve ser tirado da agenda.
As empresas não medem o custo da improdutividade, mas se fizessem um pequeno levantamento perceberiam que muitas vezes ao invés de simplesmente demitir, é possível reduzir custos e aumentar a produtividade, olhando para os verdadeiros vilões de gestão: a improdutividade, falta de foco, excesso de urgências irreais, mal uso do e-mail, problemas com reuniões e péssima gestão do tempo.
Em tempos de crise, nunca foi tão necessário e essencial usar o tempo com sabedoria e fazer a empresa dar saltos de produtividade para que as metas saiam do lugar e o impacto dessa crise global seja minimizado. São necessárias doses de trabalho sem estresse, inovação e qualidade de vida!.
Por C. Barbosa, consultor de gestão de tempo.
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